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Duration: o que é e como afeta seus investimentos

Capa do artigo: Duration: o que é e como afeta seus investimentos

Pontos-chave

  • Duration é uma medida do risco de taxa de juros de um título de renda fixa e indica sua sensibilidade às oscilações das taxas de juros.
  • Dois títulos com a mesma data de vencimento podem reagir de formas muito diferentes a uma mudança na taxa de juros, dependendo de como seus pagamentos estão distribuídos no tempo.
  • Entender quando e se o investidor precisará antecipar o resgate, qual a visão sobre o ciclo de juros e qual a sua sensibilidade às oscilações de preço são fatores importantes para a decisão.

Duas medidas de tempo

Todo título de renda fixa carrega duas medidas de tempo. A primeira é o vencimento, a data em que o principal retorna ao investidor. A segunda é o tempo médio durante o qual o capital permanece efetivamente exposto às variações da taxa de juros.

Essa segunda medida é relevante para entender como o preço do título pode se comportar enquanto ele permanece na carteira.

O tempo médio de exposição costuma ser menos observado porque não aparece de forma tão intuitiva quanto a data de vencimento. Seu cálculo depende de como os pagamentos estão distribuídos ao longo do prazo.

Dois títulos podem vencer no mesmo dia e ter desenhos de pagamento bastante distintos, o que os torna sensíveis aos juros em graus diferentes.

A duration é essa medida do tempo médio que o investidor levará para receber os fluxos de pagamento de um título e ajuda a revelar como o preço desse título pode se comportar diante de mudanças nas taxas de juros.

O mesmo vencimento, dois comportamentos

Considere dois títulos prefixados emitidos no mesmo dia, ambos com vencimento em cinco anos e contratados à mesma taxa de retorno.

O primeiro paga juros semestrais ao investidor e devolve o principal no vencimento. O segundo não paga nada durante o período e concentra juros e principal em um único pagamento final.

Os dois são idênticos em prazo, mas bastante diferentes em fluxo de pagamentos.

No primeiro, parte do retorno começa a chegar seis meses depois da aplicação, e cada cupom recebido é dinheiro que deixa de permanecer exposto às taxas dos anos seguintes. Quando se pondera cada pagamento pelo valor que ele representa e pelo momento em que ocorre, o tempo médio desse título pode ficar em torno de quatro anos, e não de cinco.

No segundo, como não existe pagamento intermediário, o tempo médio coincide com o prazo, e a exposição permanece integral pelos cinco anos.

Essa diferença tem consequência direta sobre o preço.

Diante de uma alta de um ponto percentual na taxa de juros de mercado, por exemplo, o título com cupons semestrais pode perder algo próximo de três e meio por cento de valor, enquanto o que concentra tudo no vencimento pode perder perto de quatro e meio por cento, dependendo das características específicas de cada título.

O vencimento e a taxa contratada podem ser os mesmos, e ainda assim os dois títulos respondem de formas distintas ao mesmo evento.

Por que a carteira se organiza por vencimento

Organizar a renda fixa por data de vencimento é uma prática que se formou por bons motivos. É assim que os títulos são apresentados nas plataformas, é assim que se constrói uma escada de liquidez, e durante muito tempo essa foi a principal informação utilizada pelo investidor.

Quem compra um título com a intenção firme de levá-lo até o fim reduz significativamente a importância prática das oscilações de preço ao longo do caminho, desde que o emissor cumpra suas obrigações.

Em títulos sem pagamentos intermediários, manter o investimento até o vencimento preserva a taxa contratada na aquisição. Em títulos com cupons, o retorno efetivo também dependerá da taxa pela qual esses pagamentos intermediários forem reinvestidos.

Por outro lado, um resgate antecipado poderá enfrentar a marcação a mercado, que, conforme o movimento das taxas de juros, poderá favorecer ou prejudicar o valor do título.

A viga e o ponto de equilíbrio

Explicando de outra forma, imagine uma viga que precisa sustentar um determinado peso. Quando todo o peso fica concentrado em uma extremidade, o esforço sobre aquele ponto é maior. Quando esse mesmo peso é distribuído ao longo da viga, o ponto médio dessa distribuição se desloca.

O fluxo de pagamentos de um título pode ser entendido de maneira semelhante. Cada pagamento possui um peso e ocorre em determinado momento. A duration identifica o ponto médio dessa distribuição de pagamentos ao longo do tempo.

Tempo médio e coeficiente de sensibilidade

O termo é usado com dois sentidos, que respondem a perguntas diferentes.

A duration de Macaulay é o ponto médio descrito acima, expresso em anos. Ela informa quanto tempo, em média, o investidor leva para receber os fluxos do título, considerando o valor e o momento de cada pagamento, e serve para comparar títulos com estruturas de fluxo distintas.

Um título de dez anos com cupons relevantes pode ter duration de Macaulay menor que a de um título de sete anos sem pagamentos intermediários.

A duration modificada parte do mesmo cálculo e o converte em um coeficiente de sensibilidade, estimando quanto o preço tende a variar quando a taxa de juros se move um ponto percentual. É uma das medidas mais utilizadas para avaliar o risco de taxa de juros e funciona como boa aproximação para movimentos moderados das taxas.

Função, não apenas prazo

Entendida dessa forma, a duration deixa de ser apenas uma característica individual de cada título e passa a funcionar também como um controle de exposição do patrimônio.

Toda a parcela de renda fixa pode ter uma duration agregada, calculada a partir das durations individuais ponderadas pelo valor investido em cada posição. Esse número oferece uma aproximação de quanto essa parcela tende a oscilar diante de movimentos das taxas de juros.

O conceito também ajuda a esclarecer o papel de diferentes tipos de remuneração.

Títulos pós-fixados que acompanham de perto a taxa básica e têm reajustes frequentes tendem a apresentar baixa sensibilidade às mudanças das taxas de juros. Por isso, normalmente apresentam menor oscilação de preço e podem cumprir funções de estabilidade e liquidez, desde que também sejam considerados fatores como risco de crédito e liquidez do emissor.

Títulos prefixados travam uma taxa e assumem exposição às mudanças das taxas de mercado ao longo do prazo. Por isso, podem se beneficiar de um ciclo de queda de juros, mas também apresentam maior sensibilidade quando as taxas sobem, especialmente nos vencimentos mais longos.

Títulos indexados à inflação combinam proteção do principal contra a inflação com exposição às taxas reais de juros. Nos vencimentos mais longos, essa sensibilidade pode ser elevada, o que faz com que seus preços também possam oscilar de maneira relevante antes do vencimento.

Cada grupo pode cumprir uma função distinta dentro do conjunto, e a duration ajuda a verificar se a soma dessas posições resulta na exposição que o investidor pretendia ter.

Três perguntas importantes para decidir

Antes de comparar durations, três questões precisam ser respondidas:

  1. Qual é a probabilidade real de o investidor precisar resgatar antes do vencimento? Se o dinheiro tem destino e data definidos e existe intenção de manter o título até o vencimento, a sensibilidade à marcação a mercado tende a ter menor importância prática. Se existe chance concreta de venda ou realocação, ela ganha peso na decisão.

  2. Qual é o momento do ciclo de juros e a confiança nessa visão? Em uma estratégia tática, uma duration mais longa aumenta a exposição a uma eventual queda das taxas e, consequentemente, o potencial de valorização dos títulos. O movimento contrário também é verdadeiro: se as taxas subirem, títulos de duration mais longa tendem a sofrer maior desvalorização. Uma duration mais curta reduz essa sensibilidade em qualquer direção.

  3. Qual a tolerância à marcação a mercado? Um título de duration alta pode aparecer no extrato com variação negativa relevante por vários meses seguidos, sem qualquer deterioração do emissor ou alteração dos pagamentos contratados. Quem não sustenta essa oscilação pode acabar vendendo em um momento desfavorável, transformando uma variação temporária de preço em prejuízo realizado. Esse limite é pessoal e deve ser considerado na alocação.

Escolher o prazo de um investimento de renda fixa também é decidir por quanto tempo o capital ficará exposto às mudanças nas taxas de juros, e essa decisão não está descrita apenas na data de vencimento.

A duration é uma ferramenta importante na análise do portfólio do investidor, mas precisa ser integrada a uma avaliação mais ampla, incluindo fatores relacionados aos ativos, como risco de crédito e liquidez, e ao próprio investidor, como objetivos, horizonte e perfil de risco.

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